António Guterres eleito novo Secretário-Geral da ONU

António Guterres é o novo Secretário-Geral da ONU. A votação, que decorreu na manhã de ontem em Nova lorque, deu ao antigo primeiro-ministro a sexta vitória e o processo ficou concluído com a escolha do português para o cargo. O próprio António Guterres reagiu no Twitter. “Foi conseguido um acordo do Conselho de Segurança da ONU para me eleger como o novo Secretário-Geral da ONU. Estou honrado e feliz”.
Guterres foi aprovado pelos cinco membros principais do Conselho de Segurança (China, França, Rússia, Estados Unidos e Reino Unido). Ao não ter nenhum voto contra dos ‘grandes’, acabou com as hipóteses da candidata búlgara Kristalina Georgieva. A nomeação deverá ser confirmada hoje, quinta-feira. Para ser nomeado formalmente, o Conselho de Segurança terá de adoptar uma resolução, à porta fechada. Terá de conseguir nove votos a favor e nenhum veto, de entre as 15 nações representadas no principal órgão da ONU. Um cenário que estará garantido, uma vez que o Conselho de Segurança, com a presença de todos os embaixadores, anunciou que o português era o “vencedor claro” e que avançava já na quinta-feira para a aprovação de uma resolução que propõe o nome de Guterres para aprovação pela Assembleia Geral. Na madrugada de terça-feira, a Rússia, país com direito de voto no Conselho de Segurança, revelou o desejo de apoiar uma mulher da Europa de Leste, sendo que existem apenas duas candidatas búlgaras que preenchem esse requisito: Irina Bokova e Kristalina Georgieva, esta última que entrou na corrida há duas semanas.
“Acreditamos que é a vez da Europa do Leste de fornecer o próximo secretário-geral. Gostaríamos muito de ver uma mulher”, disse o embaixador russo nas Nações Unidas, Vitaly Churkin. Depois de cinco votações em que os votos dos 15 membros eram indiscriminados, os votos dos membros permanentes (China, Rússia, França, Reino Unido e Estados Unidos) vão ser revelados pela primeira vez, ficando pela primeira vez visível algum caso de voto. Há 10 anos, quando foi escolhido Ban Ki-moon, a primeira votação deste género foi a única. Nesse dia, 2 de Outubro de 2006, Ban Ki-moon recebeu 14 votos “encoraja” e apenas um “sem opinião”, o que precipitou a desistência de todos os outros candidatos no dia seguinte. Uma semana mais tarde, a 9 de Outubro, o Conselho de Segurança aprovou por aclamação a resolução que recomendava o nome do sul-coreano.
No entanto, conforme explicou fonte diplomática à Lusa, o processo tem poucas regras, o que dá muita flexibilidade aos membros do Conselho de Segurança, sobretudo os permanentes, para decidir os próximos passos. Mesmo que Guterres obtenha o apoio de nove países e nenhum voto dos membros per manentes, os membros podem decidir realizar mais votações. António Guterres venceu as cinco primeiras votações destacado, sendo o único que ultrapassou o mínimo de nove apoios, mas teve sempre entre dois e três votos “desencoraja”. Se mantivesse o mesmo resultado e um dos votos negativos pertencer a um dos cinco permanentes, o seu nome não poderia ser sequer recomendado. A entrada da búlgara Kristalina Georgieva na corrida, na semana passada, também poderia ter provocado mais rondas de votações, necessárias para clarificar o posicionamento de todos os países.

Num ano em que a ONU tentou trazer transparência ao processo, realizando audiências públicas, entrevistas e debates com os 12 candidatos iniciais, a entrada tardia da vice-presidente da Comissão Europeia foi recebida com desconfiança por alguns países e entusiasmo por outros.
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