Artistas moçambicanos chamam políticos de ladrões da Paz

Jovens artistas da cidade de Maputo presentes segunda-feira passada (3 de Setembro), na auscultação pública pela paz, organizada pelo Painel da Sociedade Civil para o Diálogo pela Paz, disseram que seria difícil celebrar o Dia da Paz enquanto o país está de luto, pelo sangue derramado nos últimos dias na zona Centro do país. Apelam acima de tudo a um trabalho forte e sério ao nível das organizações da Sociedade Civil, religiosos e singulares para a devolução da paz dos moçambicanos roubada pelos políticos.

Para Ras Soto, músico reggae que actuou no evento interpretando a música “Queremos paz”, disse que é desastroso para os moçambicanos celebrar o Dia da Paz enquanto irmãos morrem a balas no Centro do país. Diz ainda o artista que o acordo do dia 4 de Outubro de 1992 foi para a paz e não traição aos moçambicanos.

“Não podemos celebrar o Dia da Paz sem que na verdade estejamos em paz no país, no entanto, seria difícil celebrar a data enquanto os outros irmãos morrem inocentemente pela guerra no Centro, talvez a data servisse para uma reflexão profunda sobre a paz moçambicana, porque realmente estamos a atravessar um momento bastante difícil que não desejávamos passar, porque somos todos irmãos, e temos que nos amar, e não odiarmo-nos por razões desnecessárias”, disse Ras Soto.

Segundo Ras Soto, os artistas moçambicanos não têm contribuído eficazmente para a questão da valorização da paz entre os moçambicanos, optando nas suas músicas em mensagens comerciais ou de moda,” a arte na verdade é um instrumento que pode com muita facilidade atingir as massas, mas em Moçambique ela está enfraquecida, muitos artistas seguem caminhos para ganhar dinheiro e não para o resgate dos valores sociais como o respeito, o amor, solidariedade e mais, cantando por vezes insultos. Mas mesmo assim alguns artistas trabalham para a mudança desta situação de violência”, frisou Soto.

Flávia Carla Dolande, jovem que apresentou no evento uma caricatura facial com mensagem de esperança aos moçambicanos no resgate da paz, lamentou o facto de este ano os moçambicanos passarem o Dia da Paz sem ajusta celebração alegre, pelo sangue que se derrama no Centro do país, “esse dia tem sido de festa em todos os anos, só que desta vez é diferente porque Moçambique está de luto por causa das vítimas mortais da guerra no Centro do país”, disse Flávia acrescentando que os políticos não deviam sangrar o país, mas sim organizá-lo para prosperidade. 

“O país precisa de união para que possamos desenvolver e usufruirmos dos bens que temos, o gás, petróleo, a vegetação, o mar e muitos outros recursos que podem nos ajudar a melhorarmos as nossas vidas, a enriquecermos, porque estamos na fase do desenvolvimento que é notável por causa da guerra”, aponta Flávia. Obed Obadias, declamador de poesia, diz que a paz vive no interior dos moçambicanos e é preciso dar valor a este sentimento que está sendo violentado pelos políticos nos últimos dias. Obadias acredita que o povo foi libertado pelos heróis da Pátria amada, mas ele ainda não goza da sua liberdade pela ambição dos políticos em tomar o poder,” o libertador foi aquele que nos acendeu a luz no fim do túnel, e na verdade nos confundiu a luz, por que já junto dela ela foi apagada pelos políticos, portanto, continuamos colonizados, só mudamos de colonizadores, que tem o poder de devolver a paz aos moçambicanos, e mesmo assim não o fazem”, lamenta Obadias.
Artistas moçambicanos chamam políticos de ladrões da Paz Artistas moçambicanos chamam políticos de ladrões da Paz Reviewed by Redacção on 1:07:00 PM Rating: 5
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