Crise económica cancela feira internacional de Luanda

A edição de 2016 da Feira Internacional de Luanda (FILDA), adiada de Julho para Novembro, poderá não acontecer mais este ano. A informação tem sido veiculada pela imprensa angolana desde a última sexta-feira. A crise económica no país seria o motivo do cancelamento.

A organização FILDA disse à DW África que ainda não há uma confirmação oficial do cancelamento do evento, mas que não desmente a informação divulgada pela imprensa. Ainda segundo a organização, o presidente do Conselho de Administração da FIL (empresa privada com capitais públicos de Angola que organiza diversas feiras em Luanda), José de Ma tos Cardoso, encontra-se em viagem e, por isso, ainda não foi designado nenhum porta-voz para comentar o assunto. De acordo com informação avançada pela agência de notícias Lusa, esta será a primeira vez que a feira não acontece em 33 anos. O evento foi realizado mesmo durante a guerra no país, que ter minou em 2002.

Dificuldades económicas

A Lusa também adiantou que os funcionários da FIL estariam com o salário atrasado há meses e que, em protesto, já ameaçaram boicotar a realização do evento. Outros eventos organizados pela mesma empresa da FILDA também podem ser boicotados, segundo a informação da agência de notícias. A edição deste ano da FILDA, em princípio, aconteceria de 19 a 24 de Julho. Porém, devido a dificuldade de importação de materiais e equipamentos gerada pela crise económica em Angola, o evento foi adiado para os dias 15 a 20 de Novembro. Na sua página da internet, a FIL diz que a realização da FILDA gera, por ano, um volume de negócios estimado em 500 milhões de dólares. Na última edição da FILDA, em 2015, o Estado angolano investiu cerca de 250 milhões de Kwanzas (cerca de 1,3 milhões de euros). A Alemanha participou como convidado especial do evento com 28 empresários.

…e tira alunos à Escola Portuguesa de Luanda

Pouco mais de 2.000 alunos, nos vários níveis de ensino, regressaram às aulas na Escola portuguesa de Luanda em Setembro, mas a crise em Angola tirou neste ano lectivo quase 200 estudantes à instituição face ao anterior. Quem o afirma é a direcção da Cooperativa Portuguesa de Ensino em Angola, que gere a escola, no âmbito do contrato com os governos de Portugal e de Angola, e que completou a 5 de Outubro 30 anos de ensino português na capital angolana. “Houve uma ligeira quebra de alunos, muitos pedidos de transferências [para outras escolas, públicas], dada a situação económica e financeira do país. E sobretudo com as dificuldades em fazer transferências, dos portugueses que trabalham cá”, admitiu, em declarações à Lusa, Helena Meio, presidente do Conselho Pedagógico da escola. “Mas, para além disso, também era nosso objectivo diminuir um pouco o número de alunos e conformá-lo às instalações que temos”, acrescentou a responsável.

A escola estima agora um máximo de 24 estudantes por cada turma. “Quanto mais baixo o ciclo de ensino, maior o número de alunos”, reconhece. Num ano em que se agravaram as dificuldades financeiras em Angola, devido à forte quebra nas receitas petrolíferas, a escola conta neste ano lectivo com os mesmos cerca de 130 professores que iniciaram as aulas em 2015. Envolve desde a educação pré-escolar até ao ensino secundário e com todos os cursos científico-humanísticos, apesar da dificuldade no recrutamento de professores sentida este ano.


Fonte: Jornal Zambeze
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