Mediadores adiam diálogo para próxima semana devido a assassinato de Pondeca

Justamente um dia antes da data marcada para a retomada do diálogo na Comissão Mista, um dos membros desta comissão pelo lado da Renamo foi assassinado barbaramente, levando a que o coordenador dos mediadores estrangeiros decidisse pelo adiamento do retomo à mesa do diálogo para o dia 18 do mês em curso, contrariamente ao que havia sido acordado entre os mediadores e as delegações indicadas pelo Presidente da República e pelo líder da Renamo. Segundo Mário Raffaelli em nota de imprensa, o adiamento é devido a notícia do assassinato, sábado, de Jeremias Pondeca, membro da delegação da Renamo na Comissão Mista de preparação do encontro entre Filipe Jacinto Nyusi e Afonso Dhlakama. Mário Raefaelli considerou o assassinato um “acto horrível e condenável” que, entretanto, não deve conduzir a nenhum desvio de percurso na busca da paz. Uma nota da delegação da União Europeia refere que o coordenador dos mediadores, Mário Raffaelli, já se encontra em Maputo, porém pediu o adiamento, de 10 a 18 de Outubro, com vista a possibilitar uma reflexão quanto a melhor forma de acelerar a resolução das questões em discussão.

O coordenador dos mediadores estrangeiros reuniu com cada uma das partes, esta semana, e continuará nos próximos dias os contactos iniciados, segundo indica a nota. Entretanto, os trabalhos da subcomissão encarregue de produzir o pacote legislativo sobre a descentralização, a ser submetido à Assembleia da República, de que Jeremias Pondeca fazia parte, também estão suspensos.

Raffaelli afirmou que só com o fim da violência, seja qual for a sua origem, pode ser construída, de facto, uma paz verdadeira e durável. Os mediadores expressam à família de Jeremias Pondeca os mais sentidos pêsames e reiteram o seu empenho em ajudar as partes a chegarem a um entendimento “aceitável e positivo para todo o povo moçambicano”.

Refira-se que, apesar de ter havido avanços nalguns pontos, ainda persiste impasse em dois pontos, nomeadamente a nomeação provisória de governadores da Renamo e a integração dos seus homens nas Forças de Defesa e Segurança (FDS). Antes da sua partida, os mediadores apelaram a que as duas delegações concluíssem a análise unilateral e preparação dos documentos relativos aos dois pontos em
discussão na mesa durante o interregno. No último ciclo negocial, a Comissão Mista não chegou a abordar o ponto à volta da fixação de uma trégua num corredor a ser usado para contactos entre os mediadores e o líder da Renamo. Quanto a este ponto, a Renamo exige que as forças governamentais se afastem das actuais posições que cercam Dhlakama, em Gorongosa, província de Sofala. O Governo mostra-se céptico quanto a esta exigência, aparentemente por temer que Afonso Dhlakama venha tirar vantagem dessa retirada para fazer novas movimentações. E não só, o Governo tem defendido um cessar-fogo definitivo e não uma simples trégua, o que por seu turno não é aceite por Dhlakama, que alega que tal abriria vantagem para o executivo arrastar o processo negocial até esgotar o actual mandato.

Fonte: Jornal Zambeze
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