Segundo o FMI Portugal terá das retomas mais fracas do mundo

Portugal e algumas das economias de referência a nível mundial, como a Itália, Japão, Áustria e até a Alemanha, terão das retomas mais fracas do mundo nos próximos anos. De acordo com novas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), Portugal chegará a 2021 com um crescimento real de apenas 1,2%. Na lista dos 189 países analisados será a oitava retoma mais fraca; e a nona mais baixa variação do Produto Interno Bruto (PIB). O único país do globo em recessão (variação negativa do PIB) nessa altura será Porto Rico.
Até lá, a economia portuguesa vai perder lugares no ranking do crescimento mundial. Em 2016, ocupa a 40ª pior posição. Nestes cinco anos, será acompanhado nessa despromoção por economias de referência como Itália, Alemanha e Japão. Todas vão crescer na casa de uns modestos 1%.

De acordo com o novo Panorama Económico Mundial (World Economic Outlook) divulgado a partir de Washington, a economia portuguesa vai crescer sempre muito pouco e divergirá face à zona euro. O FMI prevê
ainda que o défice público se mantenha em cima da linha vermelha dos 3% neste ano e no próximo, embora conceda que não conta ainda com a evolução da execução orçamental do segundo semestre que o Governo diz estar a correr bem.

Menos desemprego

Tal como em relatórios passados, o FMI dá pouco pela economia portuguesa. Diz que tem pouco potencial porque deixou reformas estruturais a meio e outras por fazer. Mas há coisas menos más. Parece que está a conseguir reduzir a intensidade do desemprego. Nestas previsões do outono, reviu em baixa a previsão para a taxa de desemprego, de 11,6% da população activa (em Abril) para 11,2% agora. No mês passado, a missão de avaliação do pós-programa de ajustamento apontava para 11,8%. Esse novo valor também é inferior aos 11,4% previstos pelo Governo no programa de estabilidade.
O mercado nacional continua débil e, caso se verifiquem os pressupostos da missão, o crescimento de 1% neste ano continuará a esconder uma retracção de 1,2% no investimento, uma subida de 2,2% no consumo privado, de 0,3% no consumo público e de 2,9% nas exportações.

Dores na banca

Portugal aparece, claro, com um dos crescimentos mais fracos da zona euro. Pior nos dois anos analisados (2016 e 2017) só a Itália. O FMI insiste que Portugal tem “vulnerabilidades” importantes que constrangem o crescimento actual e futuro. Refere, por exemplo, as condições financeiras débeis relacionadas com os bancos. No estudo fala de “países com sistemas bancários mais vulneráveis, como Itália e Portugal”. Apesar dos receios crescentes sobre o Deutsche Bank, o FMI não faz qualquer referência à Alemanha.

Défice externo regressa em 2017

Nas novas previsões, o Fundo repara ainda que os desequilíbrios externos da economia que neste ano de 2016 ainda deve aparecer equilibrada, com um saldo externo (balança corrente) de 0% do P18 — vão aumentar. Portugal voltará a ter défice externo no ano que vem (-0,7% do P18), algo que não acontecia desde 2012, estava o país em pleno ajustamento da troika. Significa isto que a economia portuguesa voltará a ser devedora face ao estrangeiro no cômputo das suas relações correntes de comércio, investimento e de rendimentos. A inflação continuará baixa, espelhando, por um lado, a fraca vitalidade do crescimento, mas ajudando a manter algum poder de compra dos salários e das pensões. Não deve passar de 0,7% em 2016 e de 1,1% no ano que vem.


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